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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Como cuidar bem de uma máquina de escrever - 4


4. Amorteça a batida - use duas folhas de papel
Os manuais das máquinas de escrever davam essa instrução para que os tipos não marcassem o rolo de borracha.
Hoje, essa recomendação é ainda mais necessária, mas por outro motivo. Como a borracha dos cilindros está cada vez mais dura pelo ressecamento, sem que haja a possibilidade de troca por falta de peças e de quem faça o serviço, é preciso colocar mais de uma folha para que os tipos, ao baterem no cilindro, não fiquem deformados.
Essa precaução também é importante para diminuir o volume do ruído (para alguns, sinfonia), ainda mais para quem gosta de escrever durante a noite.

Luciano Toriello - 02/10/2015
Escrito com uma Remington Letter-Riter

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

É preciso lembrar e cantar



  Sou de uma geração que viveu a infância sob o domínio da ditadura militar, portanto, recebi todas as influências educacionais direcionadas pelo regime, ainda que tenham sido insuficientes para aplacar o desejo por liberdade e a vontade de sair às ruas gritando por eleições "diretas já" e "abaixo a ditadura", anos depois de muitos jovens serem torturados e mortos em busca desses objetivos.
  Entre as diferenças da educação atual, tínhamos a rotina de cantar, todos os dias, o Hino Nacional, em fila e em plenos pulmões, antes de entrar para a sala de aula.
  Se alguém errasse a letra e o diretor ouvisse, eram mais 10 minutos em pé, ouvindo a ladainha de correções, todos em profundo silêncio. Cantávamos mais de uma vez ou quantas vezes fosse preciso para que o homem ficasse satisfeito e liberasse a entrada.
  Esporadicamente, também cantávamos outros hinos, até mesmo a Canção do Expedicionário.


  Hoje, meu filho de 15 anos diz que nunca foi preciso cantar qualquer hino na escola, nem mesmo em datas comemorativas.
  Entendo que as pedagogas modernas não desejam seguir o protocolo de Educação Moral e Cívica a que éramos submetidos, mas também acho estranho esse completo distanciamento dos símbolos da pátria, que acabam lembrados apenas nas grandes disputas esportivas.
  Também concordo que no mundo atual, em que um susto na China agrava a crise econômica no Brasil, o patriotismo tenha perdido muito do sentido.
  Mas se nossas crianças não aprenderem os hinos na escola, onde vão aprender? Outra pergunta, a quem interessa esse desconhecimento?
  É preciso ter orgulho de onde viemos e de quem somos, sem jamais perder a vontade de mudar e melhorar, afinal, somos todos "Brava gente, brasileira".

Luciano Toriello - 07/09/15
Escrito com uma Remington Letter-Riter

sábado, 5 de setembro de 2015

Pronta para a batalha






Colecionadores de máquinas de escrever gostam das antigas, aquelas produzidas no final do séc. XIX e início do XX, restauradas com pintura e cromados para que pareçam novas.

Tratam como peças de museu, protegidas e inúteis.

Como digo sempre, não sou um colecionador, simplesmente gosto de escrever com elas, por isso não dou a mínima para aquelas que servem apenas como enfeite.

Claro que valorizo as bem conservadas, que foram mantidas na condição original por tantos anos, sem sofrer com os acidentes de percurso, oxidação e quebras.

Mas a primeira condição que me atrai em uma máquina é a sua funcionalidade. Basta escrever bem para ganhar meu coração. Os desgastes de pintura ou manchas nos cromados são apenas uma pátina imposta pelo tempo. O que importa é a precisão dos movimentos e a maciez do teclado.


Por isso, quando vi essa linda e rara Remington Letter-Riter sendo anunciada, com uma fotografia mal focada de celular, me encantei. Mais ainda pelo preço, apenas R$ 50,00, bem menos do que costumo gastar em um pedido de pizza.

Como toda boa máquina produzida nos anos 1950, para mim, a época de ouro para a indústria, o design dessa Remington abusa das formas arredondadas, dos cromados e dos materiais nobres.

Também segue o padrão de durabilidade dos anos dourados, tendo sido feita para durar até a eternidade.

Nesse quesito, minha nova companheira parece imbatível. Tem cara de valente, sem fru-frus. Trouxe até uma bela tatuagem, um número pintado na lateral que indica ter sido usada em alguma instituição militar, o que não surpreende, já que me foi vendida por um oficial da aeronáutica, que a recebeu como herança.


Nem foi preciso substituir a fita. O máximo que devo fazer com ela é espantar a poeira com um compressor de ar. Mais nada. Qualquer outra interferência além de uma limpeza e lubrificação seria um crime contra a sua história.

Mesmo dispondo cada vez menos de espaço, essa Letter-Riter já conquistou a sua vaga entre as minhas máquinas preferidas. E, se um dia resolver escrever um livro ou roteiro de ação, será com esse tanque de guerra que eu vou para a batalha.

Luciano Toriello - 05.09.2015
Escrito com uma Remington Letter-Riter