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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Olivetti Studio 44




 Olivetti Studio 44

Criada em 1952, pelo arquiteto e designer Marcello Nizzoli, a Studio 44 é uma preciosidade mecânica que reúne, além de formas perfeitas, uma qualidade de construção que jamais se repetiu em outros modelos da Olivetti, com peças em metais nobres e cromados que dificilmente descascam, perdem o brilho ou oxidam, mesmo com o tempo.

É uma irmã menor da Lexikon 80, por isso compartilha das características que dão, a ambas, uma escrita confortável e precisa.

Tennessee Williams, em férias na Itália,
descobriu a Studio 44 
Não teve variações de cor, além do clássico verde menta, e do marrom claro (ocre, no meu antigo estojo de lápis de cor), que é mais difícil de ser encontrado entre as produzidas no Brasil.

Na parte frontal, destaca-se uma sequência de frisos verticais, emoldurados por um arco que envolve o teclado, diferenciando-a do estilo arredondado que foi comum às máquinas dos anos 1950.

Vinha acompanhada de um luxuoso estojo de madeira, coberto com couro em bordô e revestido internamente por um veludo da mesma cor.

Frisos emoldurados por arco marcam o visual
da Studio 44, diferente do padrão da época
Tem uma régua de aço inox que fica na base do carro, com indicação das colunas, que aparecem em uma janela abaixo do vibrador (peça que movimenta verticalmente a fita). Essa indicação facilita a vida do datilógrafo que se preocupa em escrever com a margem direita justificada.

Se fosse fabricada hoje, com os mesmos padrões de qualidade, poderia ser comparada a uma Ferrari, enquanto a Studio 45, sua sucessora, seria um Fiat básico.

Apesar disso, pode ser encontrada com certa facilidade, em boas condições, por um preço razoável.


Régua de colunas, em inox, aparece em janela abaixo
vibrador, para indicar a posição ao datilógrafo
A minha Studio 44

Gosto tanto desse modelo que tenho duas iguais. Teria outras.
A primeira, chegou com aparência de abandono, mas se revelou perfeita com uma limpeza básica. O problema estava no estojo, em condições ruins. Por isso, procurei outra que tivesse um estojo melhor, mesmo que a máquina estivesse rumando para o ferro velho.

Não demorou a aparecer a candidata perfeita, ainda com a capa original.

Essa máquina tinha a pintura feia, com manchas, e a mecânica estava tomada por sujeira, por isso, mal escrevia.
Transformação da pintura,
com limpeza e polimento


Tive a ideia de desmontar para uma limpeza e cheguei a encontrar, entre os mecanismos, um resto de lápis borracha.

Mas, conforme avançava com o serviço, percebi que estava nova, sem nunca ter sido consertada em toda a sua vida útil.

Até mesmo a pintura voltou às condições originais com um simples polimento, sem qualquer risco ou descascado, nem mesmo nos ombros do teclado.

Ficou ainda melhor que a minha primeira, por
isso mereceu continuar com o seu estojo e passou a ocupar um lugar de honra na minha coleção.

Luciano Toriello - 31.10.2015
Escrito com uma Olivetti Studio 44

Estojo em madeira forrado em bordô. Pesado, mas suficiente para proteger e preservar a máquina para a eternidade





segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A linha Studio da Olivetti



A Olivetti produziu, até a década de 1930, apenas máquinas de mesa, enquanto a concorrência já mantinha as linhas de montagem ocupadas com máquinas menores, voltadas para o uso pessoal.

Fabricada em Ivrea, Itália, importada por Tecnogeral S.A.
Até que, em 1932, foi lançada a Olivetti MP1 (Modello Portatile 1), mais conhecida como Ico e, em 1935, apresentou a Olivetti Studio 42, com tamanho intermediário, ou seja, menor que o modelo de mesa e maior que o portátil, para atender aos escritores que precisavam de leveza e praticidade, mas não queriam abrir mão do conforto de escrever em uma máquina grande.

Em toda a existência da empresa, a Olivetti criou apenas 4 modelos de Olivetti Studio, primeiro a 42, seguida da 44, 45 e, finalmente, a 46, permanecendo um mistério o fato de nunca ter existido um modelo Studio 43.

Também é curioso o fato de a Studio 42 ser a menor delas, derivada da portátil MP1, enquanto as demais são maiores, criadas a partir dos modelos de mesa, como a Studio 44, que segue os padrões mecânicos da Lexikon 80, a Studio 45, próxima da Linea 88, e a Studio 46, parecida com a Linea 98, que foi a última máquina manual da marca italiana, voltada para o uso profissional.


A MP1 permaneceu única na linha de portáteis, sucedida pelas máquinas da linha Lettera, primeiro a cultuada Lettera 22, na década de 1950, que deu lugar à Lettera 32, a partir de 1963. Outras versões de portáteis Lettera foram lançadas posteriormente, sem o mesmo reconhecimento dos primeiros modelos.

Nos próximos dias, vou apresentar a minha coleção de Olivetti Studio, seguindo a ordem em que elas foram adquiridas. Após uma pequena descrição das características de cada modelo, vou narrar como as máquinas chegaram em minhas mãos.

Luciano Toriello - 31.10.2015
Escrito com uma Olivetti Lexikon 80

domingo, 31 de maio de 2015

Quanto vale uma máquina de escrever?



Escrito em um a Olivetti Studio 44

Quanto vale uma máquina de escrever?

Quando me perguntam, respondo que vale exatamente quanto a pessoa está disposta a vender ou a pagar.

Para uns, são objetos raros, amarrados a uma historia pessoal que envolve algum sacrifício.

Para outros, uma máquina é um monte de sucata que ocupa espaço na casa.

Cansei de ouvir histórias de máquinas perfeitas encontradas no lixo.

Há pouco tempo, fiz uma oferta justa por uma antiga, considerando o estado de conservação e o custo de recuperação.

O dono, um senhor que a possui há mais de trinta anos, ficou insultado e disse que preferia ficar com ela até morrer.

Estou certo que os herdeiros não pensarão da mesma forma.

É assim que vivem os antiquários, compram por sucata e vendem como joias raras, de olho nos colecionadores.

E é esse grupo que faz girar a roda da fortuna. Gastam valores absurdos por itens que consideram raros, apenas para mostrar aos amigos, já que os objetos pouco representam em suas vidas.

Não gosto de ser confundido com um deles, ainda mais em uma negociação. Quando isso acontece, pensam que estou disposto a pagar mais do que vale e a coisa azeda.

O mercado também muda. Com a moda retrô, ou vintage, os preços subiram e a oferta diminuiu. Sumiram as pechinchas.

Também há uma influência criada pelos sites de classificados. O que antes era doado para entidades, passou a ser vendido.

Ao mesmo tempo, veio à tona o que antes ficava escondido. Seu vizinho poderia estar disposto a vender e você jamais ficaria sabendo.

Para comprar ou vender uma máquina de escrever é importante manter o bom senso. Leve em conta a qualidade, a quantidade de ofertas e o estado de conservação, mas não deixe de avaliar também o custo de manutenção e o transporte.

E tenha boa sorte nos negócios.